sexta-feira, abril 08, 2011

NO LEITO DAS RELEITURAS


Aos poucos venho tornando cotidiano o exercício da releitura. A certa altura da vida  assalta-nos o sentimento de que releituras são mais importantes do que leituras. Talvez isso ocorra quando a gente se dá conta de que a memória sabe mais das leituras do que das próprias obras lidas. Aí é hora de voltar aos textos, às fontes das memórias. E quão maravilhoso é constatar que na verdade não existe releitura, pois quando a gente volta ao texto ele abre-se como um leque de novidades e surpresas. Aqui vale reinventar a máxima de Heráclito de que o homem não toma banho duas vezes no mesmo rio,  porque  ao fazê-lo nem ele e nem o rio serão mais os mesmos. Pois então, ao reler nem o leitor e nem o livro serão mais os mesmos. 
A volta ao texto revela-se assim como a ida a outro texto. Eis um dos mistérios da linguagem: os mesmos signos com outros sentidos! Estão os sentidos, afinal, no homem, no texto e no mundo que o cerca . A dinâmica simbólica que altera a todo momento a cognição humana lança seus fios e raízes sazonais nos acontecimentos, nos eventos e nos signos espalhados ao longo da existência e tudo se decompõe e se recompõe de modo às vezes imperceptível. Quando voltamos ao livro sobre o qual nos debruçamos há alguns anos sentimo-nos surpresos com as novidades que a leitura fresca vai apresentando ao nosso entendimento. Acodem-nos inesperados sentidos, muitas vezes em franco desencontro com a nossa memória. Há braços! alan machado

2 comentários:

Fernanda Meirele disse...

É. Infelismente, hoje buscamos ao máximo o prazer da Leitura (da primeira). Aquela que nos convida a se unir com os laços do conhecimento. Mas é complicado, uma vez que nossa educação não nos proporciona isso. No entanto, uma vez, com hábito a leitura queremos sempre descobrir coisas novas: o último livro, a última ficção, a última pesquisa, a última notícia. acabamos analisando muito pouco as leituras passadas e não nos damos conta do conhecimento que pode ser construído mesmo com a leitura já feita. esquecemo-nos da importância da releitura em nossas vidas. Quero que o blog (indicação de Ada - minha colega)já faz parte das minhas leituras cotidianas, e aproveito para convidar aos que se interessarem a visitar meu blog. Um abraço! http://pedagogosnarede.blogspot.com/

edimario Oliveira Machado disse...

O Guarani, de José de Alencar, uma releitura fascinante.